a mim

As vezes
Quando tá tudo em silêncio
Lá pra depois das duas da madrugada
Eu lembro das coisas que passei
Do processo de resignificação que eu tive com elas
E me pego pensando
Que não tenho mais saudade

* * *

Eu queria ter terminado
Tudo o que comecei.
No fundo eu sinto que ainda não amadureci
Só avancei
Só envelheci

Antes eu escrevia
E sentia que tinha alguém
Agora eu só tenho a mim

Talvez
O meu maior aprendizado
Tenha sido perceber que
Eu sempre
Só tive
a mim

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RESPOSTA – NANDO REIS

Bem mais que o tempo que nós perdemos ficou pra trás também o que nos juntou.

Ainda lembro que eu estava lendo

Só pra saber o que você achou dos versos que eu fiz e ainda espero resposta.

Desfaz o vento o que há por dentro desse lugar que ninguém mais pisou.

Você está vendo o que está acontecendo?

Nesse caderno sei que ainda estão os versos seus, tão meus, que peço nos versos meus, tão seus, que espero que os aceite em paz

E eu, digo que eu sou o antigo do que vai adiante

Sem mais, eu fico onde estou.

Prefiro continuar distante

Bem mais que o tempo que nós perdemos ficou pra trás também o que nos juntou.

Ainda lembro que eu estava lendo

Só pra saber o que você achou dos versos seus, tão meus, que peço nos versos meus, tão seus, que espero que os aceite em paz

E digo que eu sou o antigo do que vai adiante.

Sem mais, eu fico onde estou prefiro continuar distante
.
Em paz eu digo que eu sou o antigo do que vai adiante

Sem mais, eu fico onde estou.

Prefiro continuar…

distante

— aqueleseuamigo
twitter: @daqueleseuamigo
email: daqueleseuamigo

claramente

parece que você esqueceu de mim.
sinceramente espero que sim.
chegar de desgracamentos né.
mas
— sempre tem um mas né —
eu me recuso a esquecer de você.

* * *

hoje tava vendo um programa
sobre a Cassia e o Nando
E eu lembro de mim e voce

Queria que soubesse o quanto eu acho que voce é grande
que voce vai ser gigante
que paranaguá
no parana
que o brasil
no mundo
é pequeno demais pra voce

voce
vai ser alguem que vai ser tão grande que não vai caber
igual as pessoas que realmente importam

de voce
so falta
acreditar nisso
e em voce
e dar o primeiro passo
pra onde quer que seja

sou um poeta e não aprendi a amar

eu tenho 31 anos
e eu lembro
com 8 anos,
na 2ª serie
a professora todo dia,
no final da aula
dava a oportunidade dos alunos mostrarem algum talento
lá na frente
pra todo mundo.
lembro de um dia de um aluno que cantou um funk.
“…Eu so quero é ser feliz e andar tranquilamente na favela onde eu nasci”.
todo mundo cantou junto
aplaudiu
eu
no auge da minha inocencia quis me apresentar
eu nao sabia muitas musicas inteiras
mas
num dia
lembrei de uma musica que eu sabia inteira
e me tocava por dentro
naquele dia
sai de casa determinado
antes da aula acabar
falei pra professora que queria me apresentar
nervoso
tremendo
mas a coragem provem de enfrentar o medo e não de não ter medo
eu nao sabia cantar
mas iria dar o meu melhor
fui até a frente da sala e comecei
a
na minha tentativa de cantar
declamar:
“…Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola sozinha
Cansada com minhas meias três quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida é não sonhar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar…”

* * *
agora
hoje
ao pensar nisso
me vem na memoria o medo
a ansiedade.

eu
na frente da sala “cantando”
a sala
recheada de crianças
e ninguem sabia reagir à uma musica tão peculiar
a professora em silencio
me olhando

o sinal bate

a turma comeca a se agitar pra sair

a professora não os impede

eu começo a diminuir a voz

a professora vem até mim

não lembro o que ela disse

mas lembro que ela nem sabia direito o que dizer

ela não sabe reagir ao fato de uma criança se relacionar à essa música

com um teor tão profundo.

e eu sai

* * *

me assusta o fato de
desde essa época eu ter significações tão características.
ou de
desde essa época
eu me sentir assim
e de
eu
com meu jeito de criança
ter afogado tanta ansiedade em outras coisas

criança é assim mesmo

e eu

agora

ainda sou…

“…sou um poeta e não aprendi a amar…”

O fim da estória – Alejandro da Costa Carriles

O fim da estória

Eu nunca sei quando as estórias acabam. Por isso sempre fico preso entre uma e outra, ou entre nenhuma e nenhuma outra; entre um recomeço sem fim e um fim sem termino.
Talvez por ser mais espectador, ou coadjuvante do que protagonista da minha vida, tenha essa enfermidade de não dar conta de quando baixa o pano.
As luzes apagam, o público sai, os colegas limpam a maquiagem e eu continuo lá: Com a fala na cabeça, o texto decorado, aguardando a deixa.
A deixa que nunca vem.
Sempre tive medo das coisas e das pessoas. Um pavor e uma falta de fé.
Talvez por isso eu tenha criado minha própria companhia teatral, onde sou diretor; contra-regra; atores e público.
Eu enceno só para mim uma tragicomédia.
A realidade me faz tão mal e me deixa tão fraco que fico, no fundo do palco, muitas vezes, a sussurrar o texto a mim mesmo.
Às vezes não ouço.
Quase sempre não ouço, porque sussurro baixo e minha voz é trêmula…
O público não entende a peça, logo, não aplaude.
Eu, furioso, demito a todos: ao autor; ao diretor; aos atores…
Expulso o público do teatro e ateio fogo a tudo.
E ali dentro fico eu, junto às cortinas e aos holofotes, incandescentes; queimando, queimando, queimando…

Alejandro da Costa Carriles

she is aesthetic

A combination of things that are pleasing to look at.

Relate to the study of the mind and emotions in relation to the sense of beauty.

Involving or concerned with pure emotion and sensation as opposed to pure intellectuality.

The idea of beauty at a given time and place: a particular individual’s set of ideas about style and taste, along with its expression:
a great aesthetic on her wearable fashion.
one’s set of principles or worldview as expressed through outward appearance, behavior, or actions.